terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Aquele do que não foi dito.

Acho que... 
Fez muito frio. As pessoas não entenderiam se eu contasse apenas com descrições.
Falar nem fazia tanto sentido.
Nunca fez.
Mas seus sorrisos sim. Me fizeram passear por onde não acreditava poder chegar.
Nunca acreditei nas coisas que aconteceram.
Ainda tenho calafrios e acordo de madrugada, esperando você chegar seu corpo mais para trás e, aconchegando-se ao meu, nos esquentar.
Foram tantas paisagens, tantas incertezas e tantas mensagens. Segredos que eu não saberia contar agora.
Faz tanto tempo, que nem parece real. Meio trôpego nas lembranças, despistei o passado, e fui em sua compania viajar onde dormem meus sonhos. Meio por querer.
A nossa casa ainda era azul. E ainda chovia estrelas cadentes. Vinte e seis estrelas. 
Ainda queria te dizer um monte de coisas. Mas nunca soube como. Quem sabe, quando o último desejo da estrela cadente se realizar. Só você vai saber.

Na foto final, de despedida, dávamos a mão. E quando fomos questionados, não assumimos.
Você sorria efusivamente. Eu queria que fosse comigo.
Te amei. Você soube. E eu também.

E tudo passou, como às águas das cachoeiras.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Aquele do nada....

Acho que... 
Desce o rio quente de águas frias.
Sobem as nuvens de algodão translúcido.

Mantenha-te distante.
Seus sonhos não cabem neste embrulho para presente.
Coloque à venda seu brilho e sua vontade.

Não resista. Ora não vai dar tempo. Ora não irá dar tempo.
Hora tardia esta que nos anesteseia a esperança.

Rasgam a lona e esperam que o palhaço sorria.
Deturpam os fatos e esperam vender a fartura e os conceitos.

Queria você aqui, mãezinha, para me abraçar no seu colo.
E não deixar o medo que o mundo me causa, tornar minh'alma quietinha. Calada e frágil.

gritar. Até os pulmões calejados cansarem.
Acreditar, até que a chuva pare.

Esperar as estórias incessantes e repetidas do velhinhos, que sabem e saboreiam o prazer de conta-las novamente. E de novo. E mais uma vez.
Pois, recontar é experimentar o que já foi de uma forma diferente.
Umas vezes mais, dependendo de como seus olhos estiverem, mais marejados ou mais vivídos.

Corra com o vento das planícies e tente chegar antes.
Antes que não dê tempo de você ser o que você tenha sonhado quando criança.
Ou decidido pelo tempo.
Vocação ou crença espiritual.

Tenha fé, coma mais vegetais e deixe as carnes um pouco de lado.
Saia das redes sociais e faça amigos de verdade.
Leia algo instrutivo, seja útil para você e para alguém que você ainda não tenha tido oportunidade de conhecer.
Veleje. Nade e suba uma montanha.
Deseje a natureze por mais perto.

Corra. Viraram a ampulheta. Médico, gênio ou qualquer outro ser limitado não conseguiram reverter esse ato.
O tempo escorre entre as migalhas que sobram no caminhar dos anos...

E você? O que faz quando todos de olham?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

...

Acho que... 
Olhei para o céu.
Olhei para ti.
Sorriu apra mim.
Olhou para o céu, e novamente, retribui o olhar.

Virou o rosto de lado, escondendo as bochechas coradas.

Perguntou meu nome.
Balbuciei Solidão.
Você disse que ninguém poderia chamar Solidão.

E eu disse, pois bem, meu nome é palhaço Solidão.
Ela Sorriu, como quem não acredita em um anúncio feito errado e corre para comprar antes que mudem.

Como Solidão? Ou palhaço? Ambos não combinam.
Deveria me fazer sorrir, enquanto olho para ti, palhaço!

E você deveria sorrir olhando para mim. Sou sem graça. Sou a solidão que te acompanha enquanto a lua segue seu carro nas madrugadas quentes.

Quando você criancinha, voltava no banco de trás do Fusca de seu pai, olhando pelo vidro de trás a sombra que a lua fazia neste espelho.

Devia estar feliz por sua história.
Se lhe contasse a minha, seria você a minha solidão.

Não pode, em mundo algum, palhaço tão tristonho.

Conte-me tudo, não me esconda nada.

Apenas sorriu calmamente, e disse: Palhaço é aquele que cai fazendo os outros sorrir. E estes não entendem que um tombo caleja. E a dor, pode nunca sarar.
É aquele que olha pra dentro de seus sonhos, e traduz de sua gargalhada a esperança do recém nascido.
Produz sonhos e almeja a felicidade.
Nem sempre a sua, mas mais feliz com a dos outros.

Solidão é meu nome, e minha pantomima diz pouca coisa. Diz pouco.
Poucos riem. Poucos entendem.

Sou eu o errado?

O mundo pouco diz coisas estranhas. Nunca entendemos até olharmos para o que éramos. O que deixamos de ser, e o que nunca mais seremos.

Sou. Ser. Estou. Sendo.

É tudo a mesma coisa. Sem lógica. Sem rumo e sem prosa.
Sei que você mudará o mundo.
E neste mundo imundo, sigo só.

Sabendo apenas, que seria seu! Se assim, você desejasse.
Assim, segui.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Aquele das revoluções por minuto

Acho que... 
Cansei. De novo. Incessantemente. Repetidamente.
Dia após dia.
Ansioso por novas descobertas.
Imerso na rotina. Com a rota de fuga planejada.
Sem coragem.

Vejo manifestos online. Onde as coisas não acontecem.
Amigos que não sabem mais das minhas histórias, que continuam com suas vidas. Mas já não fazem parte da minha.
Orgnização de coisa nenhuma.

Continuamos sós.
Mesmo caminhando na hora do rush.
Cheio de pessoas em volta, mas sem ninguém para confiar.

Solitários como os namorados, que acabam defendendo o seu amor, e são julgados pelos amigos por não fazerem parte do grupinho de sempre. Como tudo era antes.

Mensagens de apoio, incentivo e ideais, que vendem mais do que apoiam necessariamente.
Vendemos a preservação, e defendemos a reciclagem de coisas que ainda poderiam ser utilizadas durante muito tempo.
Útil, para quem sabe ser útil.
Mero enfeite nas mãos erradas. Atualizações. Vírus e anti-vírus.

Procuramos uma forma de scanear todos que conhecemos, para continuarmos seguros.
EU NÃO PRECISO DE VOCÊ!

... tenho minha máquina nova.
... tenho a chance de mudar as coisas.
... e não tenho paciência de esperar aquilo crescer. Brotar.
... Quero agora, e para já!


Conte nos dedos, o telefone de amigos que você sabia de cor, e hoje nem sabe por onde anda!
Corra.

Antes eu escrevia em um caderno de poesias, hoje em um blog, amanhã posso não ter vontade de lhe falar nada.
Afinal, você já é minha amiga em um site de relacionamentos, o que mais posso esperar?
Um depoimento no aniversário? Um cutuque nas férias?

"Eu queria ser especial, mas sou apenas um verme!"
e você?

Ainda sonha ao se deitar?

domingo, 25 de setembro de 2011

Aquele daquilo...

Acho que... 
Acredito no Amor.
Assim, como confiar nas palavras do pais.
Na esperança de um dia melhor.
Na confiança no anjinho da guarda.

Acredito no Amor.
Como se esperam os finais de semana.
O tão aguardado show.
Ou o momento sagrado em família.

Espero do amor.
Assim como acariciar uma florzinha, sem querer arrancá-la.
Manter por perto as saudosas lembranças.

Alimentar as cumplicidades rotineiras.
Abraçar-se aos ventos gélidos da madrugada.
E confiar num futuro bom.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Aquele do verbo ser...

Acho que... 
Quando eu fiz primeira comunhão, o padre me perguntou o que eu queria ser. Eu disse bioquímico.
Quando eu era pequenininho eu queria ser jogador de futebol, ia ser um bom zagueiro, afinal os zagueiros são burros, e tinha um posicionamento tão constante, achei que ia dar certo. Eu nem tentei ser jogador de futebol.
Quando me vi triste, sem ninguém para contar as coisas que rolavam com a minha cuca, me vi escrevendo e conversando íntimamente entre o que eu via e sentia com as pancadas que o mundo nos dá. Reorganizava minha percepção de vida em cada perda do norte. Pensei ser escritor, mas ainda não me convenci.
Certa vez na escola, uma amiga minha tinha acabado de perder a sua avó, e ela muito triste dividiu comigo esse fardo que carregava apartir daquele dia. Em nossa conversa expliquei algumas coisas que sentia, dúvidas e a falta de palavras para confortar aquela perda. Ela me disse que eu devia ser psicólogo, pois ela sentiu a avó dela nas palavras que eu disse, e sentiu-se melhor apesar das adversidades.
Eu ia em um centro espírita, que certa vez em um círculo de orações, o médium da casa disse que eu tinha cara de estafeta. Meio embasbacado e sem graça, associei o termo a um campo do lazer em que diz que as brincadeiras que levam a fadiga extrema nas crianças, são as brincadeiras de estafeta. Associei a minha cara, uma cara cansada. Mas ele explicou que no inicio do século passado, estafetas eram as pessoas que entregavam os recados e correspondências. Me chamou de estafeta de Deus. Confesso que nunca pensei em ser carteiro, tenho medo de cães.
No projeto em que trabalho, oriento crianças sobre modalidades circenses. Elas aprendem muitas coisas específicas das grandes lonas, lidam com sua timidez, a dificuldade do próximo, criatividade e diversão. Pensei em me tornar professor, mas a cada dia é uma luta desumana. Está tudo meio difuso e complexo. Mantenho-me nessa caminhada, mas com receios.
Por outro lado, ao fazer as pessoas sorrirem, me vi sendo jogado no teatro, na atuação e na criação de cenas avulsas. Me sinto bem nessas coisas, apesar da timidez constante e o ficar com o rosto corado. Ainda penso em escrever peças e atuar.
Já quis poder controlar o ar. Voar por aí. Mas não saberia montar minha roupa para preservar minha identidade, então concluí que não seria um bom super herói.
Já quis montar meu mochilão com minhas roupas, livros, comida, barraca, isolante e esperanças. Cair na estrada e conhecer o mundo. Apesar dos problemas das ruas, a falta de comida, a chance de conhecer outras culturas e novas pessoas ainda me traga a fé. Penso em ser mochileiro novamente, constantemente.
Quando estava aprendendo violão e compondo, me sentia jovem e sem limites. Pensei em subir em um palco e cantar para todos verem, mas ainda desafino em algumas músicas, então desisti. Deixei provisóriamente minha carreira musical de lado.
Agora, ontem eu era alguém, que já difere da minha imagem do espelho. Aquela espinha que te encomodava já foi embora, cai cabelo, cresce barba. Um problema ali, uma satisfação aqui. Pense, nada é para agora. E nada ficará para sempre. Então ao invés de cobrar-se o tempo todo no que vai querer ter ou onde vai querer fincar suas raízes trabalistas. Seja.

"Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo!" (Gabriel, o Pensador)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Aquele do que realmente é importante!

Acho que... 
O quê realmente é importante para você?

Essa coisa te trouxe um sorriso?
Te acalmou? Conforto? Paz de espírito?
Te fez uma carícia? um Afago? Um mimo?
Te fez descansar? Te fez feliz, até certo ponto?

Perdemos muito tempo, tentando dar nomes para as coisas, que deveriam simplesmente ser sentidas, entregue a sutil percepção.
Nos preocupamos com coisas demais, que pouco nos afetam, mas tamanha nossas preocupações, tomam medidas T-rexianas, e nos absorve; A alegria, a motivação, o bem estar, a paz de espírito, e sem os devidos cuidados, suga nossa alma e nossa saúde.
Sem vontade de levantar da cama no raia do sol. Excesso de tristeza. Sentir-se só.

Li em algum lugar, que quando pensamos nos acontecimentos como os últimos de nossas vidas, damos realmente significado para nossa existência. Empenho, alegria, satisfação.
Afinal, se não terminar, que bom! Teremos amanhã para mudarmos alguma coisa.
E porquê não a nossa própra história? Um móvel da casa? A vida de um aluno? Um amigo. A Namorada.
O grande problema, é que em muitos momentos, nos tornamos espectadores de nossa própria história. Ator coadjuvante sobre a sua vida. E nem passamos perto do oscar.
Delimitamos laços invisiveis, que nos prendem as coisas e as pessoas.

Não estou dizendo para parar de pensar naqueles que estão por perto. Deixar de lado as coisas. O egoísmo desenfreado que vemos por aí.
Estou dizendo: Ei, você tem suas próprias asas e elas morrerão se você não as utilizar.
Aproveite a paisagem, desfrute, preserve. Pois enquanto tivermos convicção de que nada nos pertence, então seremos os donos do mundo.

"Existem momentos em que gostaríamos muito de ajudar determinada pessoa, mas não podemos fazer nada. Ou as circunstâncias não permitem que nos aproximemos ou a pessoa está fechada para qualquer gesto de solidariedade e apoio.
Então, nos resta o amor. Nos momentos em que tudo o mais é inútil, ainda podemos amar – sem esperar recompensas, mudanças, agradecimentos.
Se conseguimos agir dessa maneira, a energia do amor começa a transformar o universo a nossa volta. Quando essa energia aparece, sempre consegue realizar o seu trabalho.
“O tempo não transforma o homem. O poder da vontade não transforma o homem. O amor transforma”, diz Henry Drummond."
Paulo Coelho - Livro de Anotações II